Mais sobre Cavalos

Usaremos este espaço para abordagem de vários temas sobre boas práticas, curiosidades, medicina animal, entre outros.

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11/10/2015

CÓLICA  EM EQUINOS

Cólica: A grande "vilã" da criação de equinos.

Silvana Sobrinho B. Huaixan

Lúcio Neves Huaixan

Conhecida também como síndrome cólica ou abdome agudo equino, essa enfermidade é cercada de mitos e apresenta elevada ocorrência, sendo responsável por grande parte dos óbitos nos equinos, perdendo somente para idade avançada. Com a domesticação dos cavalos, alguns hábitos foram adquiridos pelo homem em relação ao manejo, como por exemplo, a criação destes animais em cocheiras e estábulos, e a adoção de dietas ricas em concentrados, grãos e volumosos com alto teor de lignina. Na natureza os equinos são indivíduos livres, percorrem grandes distâncias e apresentam hábito alimentar altamente seletivo, ou seja, escolhem comer somente alimentos de boa qualidade com baixo teor de lignina.

As causas de cólica são diversas e envolvem infecções, hematozoários, verminoses, úlceras gástricas, tumores intestinais, hérnias, obstruções por corpo estranho, intoxicações, involução uterina no pós-parto, retenção de mecônio no potro recém-nascido e problemas odontológicos. Contudo, a alimentação inadequada juntamente com o grande tempo diário de estabulação respondem pela grande maioria das causas de cólica.

Hérnia inguinoescrotal. Importante causa de cólica no garanhão, requer atendimento imediato.

Verminoses: obstrução intestinal por Parascaris equorum. Fonte: NADIS, 2014.

É de extrema importância que as pessoas envolvidas no manejo dos cavalos saibam reconhecer os sinais clínicos dos animais com cólica, para que as providencias necessárias sejam tomadas rapidamente. Os sinais clínicos mais comuns são: agitação ou apatia, deitar, rolar, cavar, suar excessivamente, escoicear, olhar para o abdome, adoção de posições estranhas, rabejar, ausência de defecação, desidratação e distensão abdominal.

Após a constatação dos sinais no animal enfermo a conduta do responsável pelo animal deve ser rápida, pois a cólica deve ser encarada como uma emergência. O Atendimento Médico Veterinário é indispensável, o uso de analgésicos deve ser evitado até um primeiro atendimento, pois não resolve o problema, somente inibe a dor “mascarando” todos os sintomas, prejudicando assim o atendimento do profissional. Caminhar puxando o cavalo pelo cabresto até a chegada do Médico Veterinário é de grande valia, impedindo assim que o animal se deite ou role, o que pode agravar o quadro.  São inúmeros os mitos e receitas milagrosas que culturalmente são ensinadas e passadas entre as pessoas no tratamento da cólica. Em sua grande maioria são absurdos infundados e trazem grande prejuízo ao animal, complicando o que poderia ser simples de se resolver ou até mesmo levando o animal a óbito.

 

Grande parte dos casos de cólica em equinos é passível de resolução através de tratamento clínico, porém existe uma minoria que necessita de intervenção cirúrgica. Nesse caso, o encaminhamento do animal para um Hospital Veterinário é indispensável, já que a realização do procedimento cirúrgico não é possível a campo em virtude da necessidade de anestesia geral inalatória, além da alta susceptibilidade a infecções abdominais apresentada pelos equinos.

O equino pode apresentar posições estranhas que também indicam dor abdominal

Tratamento clínico em potro. Sondagem nasogástrica.

Equino posicionado em cama cirúrgica, sob anestesia geral inalatória.

Fonte: Hvet-UnB, 2011.

Procedimento cirúrgico para tratamento de cólica em equino. Fonte: Hvet-UnB, 2012.

Como prevenção para a cólica, boas práticas de manejo devem ser adotadas, dentre elas estão: vermifugação periódica, controle de carrapatos, tratamento odontológico anual, jamais utilizar produtos a base de amitraz, manter os animais soltos em piquetes por longos períodos durante o dia, evitar o uso excessivo de antiinflamatórios e principalmente promover uma alimentação adequada a esses animais, dando preferência para rações comerciais especificas e volumoso de boa qualidade com baixo teor de lignina, estabelecendo uma rotina alimentar quanto ao horário e quantidade de alimento oferecido.

Não esquecer jamais de que o atendimento do Médico Veterinário deve ser solicitado com máxima urgência. O tempo é inimigo do sucesso e cada minuto faz muita diferença na resolução dessa enfermidade.

“A MAIOR CAUSA DE CÓLICA NOS CAVALOS É O HOMEM”

28/06/2015

CLONAGEM EM EQUINOS

Clonagem em equinos: uma ferramenta a favor da perpetuação da genética de animais de alto valor zootécnico e sentimental.

Silvana Sobrinho B. Huaixan

Lúcio Neves Huaixan

 

Uma empresa nos Estados Unidos foi criada por um bilionário que gostaria de ter seu amado cão clonado. Com investimentos superiores a 60 milhões de dólares a empresa conta com dois laboratórios, um situado em Austin, no Texas – USA, que é responsável pela clonagem de suínos e bovinos; e outro em Alberta no Canadá, responsável pela clonagem de equinos. Essa biotecnologia já está disponível em escala comercial desde 2002(1).

A clonagem é definida como o procedimento capaz de criar uma cópia geneticamente idêntica de outra célula ou organismo através de meios não sexuais. Em outras palavras, clonar um cavalo significa usar o material genético (DNA) do animal doador (que deseja clonar) e produzir um potro geneticamente idêntico.

A técnica envolve a remoção de uma amostra de pele do equino doador. No laboratório, as células desse tecido são coletadas e o seu DNA é extraído. Em outra etapa, coleta-se o óvulo não fertilizado de uma égua, seu DNA é removido e substituído pelo do equino a ser clonado (1,2). A partir de um pequeno estímulo elétrico, o óvulo modificado é ativado em um processo que imita a fertilização. Assim, forma-se o embrião (2).

O embrião é cultivado em laboratório (in vitro) até atingir o estágio ideal para ser transferido para o útero de uma égua receptora. Com sorte, ele apresentará desenvolvimento em tempo gestacional normal e será um potro saudável, gêmeo idêntico do equino doador (1). 

Diagrama representando a técnica de clonagem em equinos.

É normal que os criadores tenham inúmeras dúvidas a respeito da clonagem, como por exemplo: Será que o animal clonado terá a mesma aparência? O mesmo comportamento? A mesma performance ou determinação?(1,2)

 

Na verdade, o que se sabe é que o animal terá exatamente o mesmo potencial genético para a alta performance(1). No entanto, outros fatores influenciarão no resultado do procedimento, como a nutrição e sanidade da égua que gesta o potro clonado.  E, após o nascimento, outras variáveis de elementos ambientais vão atuar sobre o clone e transformá-lo em um indivíduo, com características pessoais, mais do que uma cópia exata do cavalo ou égua (2). 

 

Porém, sabendo de antemão que o animal clonado tem todo o potencial genético para a alta performance, é possível cercá-lo de condições ótimas para que ele desenvolva e expresse esse seu potencial.  Além disso, é possível agir de forma preventiva, pois os pontos vulneráveis do doador já serão conhecidos, tanto no que diz respeito ao comportamento quanto à predisposição a certos tipos de enfermidades ou lesões (1).

 

A clonagem também traz benefícios concretos quando pensamos em reprodução. A capacidade reprodutiva do animal clonado é exatamente a mesma. A técnica permite a utilização de clones de cavalos castrados na reprodução, ou mesmo garanhões e éguas que se tornaram inférteis por algum motivo, situações nas quais a genética havia se perdido.  Dessa forma, o potencial reprodutivo dos animais de boa genética é mantido por mais tempo (1).

 

No Brasil o primeiro equino a ser clonado foi o Mangalarga Turbante JO, garanhão recordista do “Guinness Book” como o cavalo que produziu o maior numero de descendentes no mundo (1.678), em uma época em que a inseminação artificial e transferência de embrião eram técnicas caras e raramente utilizadas(4). 

 

 

Turbante JO(5)

Turbante JO chegou a ser avaliado em 1 milhão de dólares e para seu proprietário,  José Oswaldo Junqueira, o cavalo só tinha um defeito: não ser eterno.

 Após a morte do garanhão em 1998(8), o neto de José Oswaldo guardou um pedaço de pele do animal, preservando seu material genético na esperança de que, um dia, o Brasil dominasse a tecnologia da clonagem (9). Turbante JO “renasceu aos 43 anos”, no mês de setembro de 2012.

O clone do garanhão ganhou companhia no dia seguinte ao seu nascimento, quando veio ao mundo a potra clonada da égua Cascata JO, neta de Turbante JO(8). 

Turbante JO e José Oswaldo Junqueira (6)

Turbantinho JO, o primeiro clone nascido no Brasil (7)

É importante considerar que a clonagem em equinos é mais uma ferramenta importante para o melhoramento genético da espécie, no entanto não pode ser encarada como uma técnica multiplicadora de animais (2) e ainda é acessível a poucos. O criador que quiser clonar um cavalo ou égua gastará aproximadamente R$200 mil(3).

 A clonagem em equinos é considerada uma das mais complicadas, devido a dificuldade de obtenção de óvulos hospedeiros viáveis (9). Em relação à regulamentação, a Associação do Mangalarga já oficializou no Ministério da Agricultura a modificação do estatuto para aceitar os clones, mas fica proibida a participação desses animais em competições, algo permitido apenas aos descendentes (3).

 

BIBLIOGRAFIA

(1)DUARTE, M.;DUARTE,M. Clonagem em Equinos: Bem-vindos ao século 21, a tecnologia ao alcance de todos. Disponível em:< http://www.eseqex.ensino.eb.br/wp-content/uploads/2013/04/clonagem_em_equinos.pdf>.Acesso em 25 junho 2015.

(2)PYNN, O. Medical Tips Equine Cloning. Disponível em: <http:// http://www.horsetimesegypt.com/pdf/articles/MEDICAL/ Medical_Tips_Equine_Cloning_Issue43.pdf>. Acesso em: 25 junho 2015.

(3)www.invitrobrasil.com.br;

(4)www.univicosa.combr;

(5)www.joseoswaldojunqueira.com.br;

(6)www.www.saojoseonline.com.br;

(7)www.edemarambiental.com.br;

(8)www.brasilhipismo.com.br.